Essas ferramentas são úteis e funcionam para boa parte das pessoas. Mas, como diria nossa mãe: a gente não é todo mundo. Na prática, duas pessoas com exatamente a mesma idade, sexo, altura e peso podem ter metabolismos muito diferentes. Uma pode gastar centenas de calorias a mais — ou a menos — do que a fórmula prevê.

O metabolismo sofre influência da quantidade de massa muscular, da qualidade do sono, do histórico de dietas restritivas, da genética, dos hormônios, do nível de condicionamento físico, do estresse, da composição corporal, do uso de medicamentos e até de mecanismos adaptativos que o corpo desenvolve ao longo da vida.

Isso significa que a dieta mais maravilhosa e equilibrada do mundo pode falhar em trazer o resultado esperado.

Às vezes o déficit calórico ficou pequeno demais para gerar perda de gordura. Às vezes ficou agressivo demais, levando a fadiga, fome excessiva e perda muscular. Em alguns casos, a pessoa está treinando muito mais do que consegue recuperar. Em outros, está sendo subalimentada há tanto tempo que o corpo reduziu seu gasto energético para economizar energia.

Como medir o metabolismo de forma individual e precisa?

Existe uma forma de medir o metabolismo de cada indivíduo naquele momento da vida. A calorimetria indireta é um exame simples para quem faz, mas sofisticado na quantidade de informações que entrega. Durante o repouso, o exame analisa os gases respiratórios e avalia quanto oxigênio o corpo consome e quanto gás carbônico produz, permitindo calcular de forma objetiva quanta energia aquele organismo utiliza para se manter vivo.

Além disso, avalia a facilidade do corpo em utilizar gordura ou carboidrato como fonte de energia, fornece informações sobre condicionamento metabólico e traz dados que podem modificar completamente o plano de tratamento do indivíduo — desde alimentação e treino até intervenções medicamentosas.

Muita gente ainda acredita que basta comer menos e “gastar mais calorias”. O corpo humano não funciona como um relógio matemático simples. Exercícios muito intensos em pessoas submetidas a restrição calórica excessiva podem aumentar fadiga, fome, compulsão alimentar e dificuldade de recuperação. Já em outros casos, o treino precisa ser intensificado porque o gasto energético é menor do que o esperado.

A calorimetria ajuda a entender se o organismo está funcionando dentro, acima ou abaixo da média prevista. Isso permite ajustar alimentação, proteína, volume de treino, estratégias de perda de gordura e preservação muscular com muito mais precisão.

Durante muito tempo, quando os resultados não apareciam, muitos pacientes eram desacreditados. Ouviam que estavam “comendo errado”, “sem disciplina” ou “fazendo pouco exercício”, quando o planejamento inicial partia de uma estimativa incorreta da realidade metabólica daquele organismo.

A calorimetria indireta traz informações objetivas para estabelecer hábitos saudáveis e condizentes com as necessidades individuais, permitindo propostas de tratamento mais precisas e resultados muito mais consistentes.

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Bárbara Rebeca
Canepelle Pott

Nutrição Clínica

Formação em Nutrição na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Pós-graduação em Nutrição Clínica, Funcional e Fitoterápico.
Atuo na área do emagrecimento e esporte, promovendo consciência alimentar em adultos. Uma alimentação estratégica permite não apenas a estética, mas também disposição, saúde, rendimento esportivo e qualidade de vida em todas as fases.

CRN-10 3583

Dra. Daniela de Moura Costa Godoy

Pediatria

Pediatra que acompanha bebês, crianças e adolescentes com abordagem acolhedora, técnica e orientada ao desenvolvimento. Atua em prevenção, manejo de doenças frequentes e orientação às famílias. Possui capacitação para prescrição criteriosa de canabinoides em adultos, sempre com rigor científico e responsabilidade.

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Dr. Vicente
Bergamo Junior​

Clínica Médica / Generalista

Graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 2010. Atua como clínico geral com foco em investigação diagnóstica precisa, interpretação crítica de exames e condução responsável de sintomas agudos e crônicos. Trabalha estritamente com medicina baseada em evidências, sem modismos ou intervenções desnecessárias, priorizando segurança clínica e clareza nas decisões.

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Dra. Manuela Alexandre

Medicina de Família e Comunidade

Médica de Família formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, com atuação clínica desde 2011. Trabalha com prevenção, manejo de doenças crônicas, envelhecimento saudável, avaliação e tratamento de sarcopenia e emagrecimento baseado em evidências. Conduz acompanhamento longitudinal, coordenação do cuidado e intervenções em nutrologia com ética, transparência e total independência de interesses comerciais.

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