Muito ainda não se sabe sobre o novo coronavírus. Mas talvez uma das maiores dúvidas seja essa: por que a doença afeta de maneira tão grave algumas pessoas e outras sequer apresentam sintomas?

As pessoas do chamado “grupo de risco” são mais propensas a desenvolver a doença de forma mais grave. Os pacientes acima de 60 anos e aqueles que já tinham uma condição fragilizada por conta de outras doenças, como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e no pulmão e obesidade, estão entre elas. Mas a busca dos pesquisadores é encontrar uma razão que esteja veiculada a fatores do organismo de cada indivíduo.

 

Pois agora um grande avanço foi feito por cientistas do Instituto de Saúde Nacional dos Estados Unidos. Os pesquisadores desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que separava o sangue de pacientes com Covid-19 e encontrou 22 proteínas que apareciam constantemente entre os casos mais graves. Isso indica que se o sangue for analisado no início da doença, os médicos podem identificar quais são os pacientes mais vulneráveis.

O tipo sanguíneo também pode ter uma relação direta com os infectados mais graves. Um estudo feito por várias instituições de saúde europeias – publicado online e ainda sem revisão de outros membros da comunidade científica – encontrou fortes relações entre dois lugares do genoma e o aparecimento de insuficiência respiratória em pacientes da Itália e da Espanha.

Um deles é o sistema ABO, que determina o tipo sanguíneo. De acordo com o estudo, pacientes com sangue tipo A tinham 50% mais riscos de precisar dos respiradores no tratamento, além de desenvolverem mais coágulos, enquanto o tipo O parecia ter um efeito de proteção maior – pessoas com esse tipo sanguíneo têm 9% a 18% menos chances de testar positivo para o vírus. A importância do gene no processo ainda é desconhecida, mas os autores acreditam que a variante genética pode estar associada à inflamação.

Estudos sobre variações genéticas do vírus ainda não encontraram evidências científicas de que seja um fator importante para a gravidade dos casos. Uma preocupação mais crítico é a relação com o hospedeiro, a pessoa que carrega o vírus. O sistema imunológico de cada indivíduo responde de uma forma diferente à Covid-19. Algumas podem ter um sistema imunológico mais preparado por já ter tido contado com outras formas de coronavírus existentes.

O problema maior aparece quando a reação de defesa do organismo causa a “tempestade de citocinas”. A Covid-19 gera uma resposta do sistema imunológico para que haja o combate contra a doença: a produção de citocinas. Só que, nos casos mais graves, o corpo envia um exército grande demais e as próprias células de defesa acabam agravando o problema, com o aparecimento de infecções em vários órgãos.

“Você começa a produzir citocinas demais ao mesmo tempo. As células imunológicas ficam confusas, tentando fazer tudo de uma vez, o que causa mais danos do que elas pretendiam. Agora não é mais o vírus que está matando você, é o sistema imunológico”, explicou Edward Behrens, chefe da divisão de Reumatologia do Hospital Infantil da Filadélfia.

Por isso, pacientes fora do grupo de risco e até mesmo crianças acabam adoecendo por causa da Covid-19. Identificar rapidamente a “tempestade de citocinas” é fundamental para desenvolver um diagnóstico rápido e evitar a infecção.

Revista Saude

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